Deixaria-se roubar daquela vez.
Não sentiria medo algum.
Porque, na verdade, tinha uma necessidade urgente de perder o controle.
E, além de tudo, considerava-se distante demais das almas boas.
Sabia que ao perder as rédeas
abdicaria do seu destino para que outros o conduzissem.
Antes, acreditava que tudo estava sempre firme em suas mãos.
Mas, só até aquele dia.
O dia em que se faria assaltar para não morrer de culpa e tédio.
(Milena Vital)