domingo, 30 de dezembro de 2007

Fênix

Apesar da fênix ser um mito nós o vivemos muitas e muitas vezes em nosso caminho e essa vivência se traduz em um ciclo que chamamos de ano.
Nossa vivência em fênix não tem 500 ou 97.200 anos, mas 12 meses e existem “ritos de passagem” que simbolizam a autocombustão:
são conhecidos como festas de final de ano.
Quando entramos nos mês de dezembro nos aproximamos dessa morte simbólica que tem seu renascimento logo após a festa de ano novo.
Essas festas acabam nos impondo um momento de reflexão.
É justamente nesse período que reavaliamos tudo aquilo que fizemos e conquistamos, que pesamos o que ambicionávamos e o que concretizamos. Realizar essa avaliação causa um misto de sentimentos:
alegrias e satisfações pelas conquistas
e também tristeza ou decepção
por aquilo que almejamos mas que não foi possível materializarmos.
No primeiro momento uma melancolia paira sobre nós,
uma melancolia que também tem sua função,
que é necessária e faz parte da jornada.
Ela nos deixa reflexivos, interiorizados, ou seja,
ela nos deixa em um estado propício para refletir sobre nossa caminhada,
nos colocando em contato direto com todo o caminho que já percorremos.
Entretanto esse sentimento apresenta um antídoto:
a festa de virada de ano. É no momento da contagem regressiva,
quando todos estão focados num único pensamento,
que se manifesta o mito da fênix.
A explosão dos fogos nos traz a sua característica de renovação;
é o próprio renascer das cinzas.
E então, ao mesmo tempo em que nos condenamos com severidade,
sentimos que essa condenação fica para trás,
pois já começamos o caminhar em um novo ciclo,
vislumbramos com os olhos brilhando objetos e desejos,
enchemos a mente de planos e o coração de esperança.
Nesse momento vivemos o mito da fênix intensamente:
o que ficou no ciclo passado entra em combustão,
nosso cansaço se consome nesse fogo
e tudo aquilo que queremos deixar para trás se transforma em cinzas e,
então, nos enchemos de força, de esperança, de planos e de projetos.
Nosso coração se renova e produzimos o momento mais belo desse ciclo ressurgindo completamente renovados para trilhar nosso caminho.
Que cada um de nós possa se valer dessa oportunidade oferecida
usando o aprendizado das experiências vividas,
se preparando para a nova jornada
com o entusiasmo de um jovem cheio de sonhos
somados à sabedoria de um ancião.

Um movimento chamado inércia


Para quem alcança o céu sem sair do chão.

Para quem se movimenta sentado.

Para quem gosta de escrever.

Para quem gosta de dividir.

Para quem gosta.

Para quem?

Pára.

Ser bonito é...


Bonitas são as coisas vindas do interior,

as palavras simples, sinceras e significativas;

o sorriso que vem de dentro,

o brilho dos olhos...

Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa

Bonito é procurar estrelas no céu

e dar de presente ao amigo,

amiga, namorado...

Bonito é chorar quando se sentir vontade

e deixar que as lágrimas rolem

sem vergonha ou medo de crítica.

Bonito é ser realista sem ser cruel,

acreditar na beleza de todas as coisas.

Bonito é a gente continuar sendo gente em quaisquer situações.

Bonito é você ser você.

VERÃO


Ah o verão...

Dizem que é a estação da perdição.

É porque é no verão

que você faz tudo aquilo que vai contar para os seus netos,

bisnetos e tataranetos um dia.

Dormir de cueca, dormir de calcinha.

É só no verão!

Viajar para a montanha,

para a cachoeira,

para o balneário...

é só no verão!

É no verão que o amor floresce.

O amor a preguiça.

Amor ao Sol.

Ou até mesmo o amor a uma sirigaita.

Ou a uma dúzia de sirigaitas.

Por que não?Seja otimista rapaz!

É verão!

Vai contar o que para o neto?

Que ficou jogando o dominó?

Não!!!

Vai contar que pulou da pedra,

comeu churrasco,

deu cambalhotas...

Essas coisas...

que a gente só faz no verão!

Ahh verão...

Carrossel

A gente sempre se ilude e acaba nem percebendo que aquilo que a gente realmente precisa é aquilo que a gente já tem.
O MUNDO DÁ VOLTAS, e como ele dá...
Interessantíssimo perceber que o processo é ciclico e se completa nele mesmo,
e assim uns ciclos são fechados e outros são iniciados, semelhantes ou não, dependem das pessoas, ideais, objetivos e filosofias envolvidos.
A vida sem rotina, sem regras, sem normas, seria mais sensorial, menos racional e talvez perderia meu controle, o controle de tudo o que faço, penso e escolho viver...
A vida não é um desafio a ser superado, ela é o palco da minhas ações, onde me experimento, onde me conheço, onde exercito aquilo que acredito, que aprendi, que sinto...
um espetáculo das interações humanas, suas simbioses, antíteses e conflitos.
Sou uma privilegiada sem sombra de dúvidas;
onde milhões de coisas acontecem de forma síncrona e se traduzem em uma avalanche de sensações, um resgate do EU e me acrescentam de maneira intensa, visceral, significativa.
Entendi que não preciso fazer muito esforço,
os acontecimentos fazem parte de um ciclo,
que dura o suficiente para que outro seja iniciado,
depende de mim iniciá-lo, fechá-lo ou mantê-lo.
Fiz as pazes com o tempo;adquiri paciência e sapiência.
Ainda me falta muiiiito pra chegar ao minimo que busco em minha vida.
Conhecimento nunca é demais;
hoje, mantenho presente apenas quem me acrescenta.
Não esqueço;mas convivo muito bem sem,
afinal minha maneira de criar e recriar as circunstâncias em minha vida me permitem conviver com a ausência.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Anúncio

Abaixo transcrevo uma poesia muito fofa
extraída de um anúncio das Havaianas
publicada na Revista de Domingo:
Que pedir a um Ano Novo
Fama, grana, remissão?
Pra quê, há coisas mais bacanas
Quero sossego e Havaianas.
Como eu seria simples
Espicharia o casco ao sol
Divagaria bobagens tamanhas
Pé no chão, só as Havaianas.
Não teria mais porto
Atracaria em terras distantes
Potiguares, gaúchas, baianas
como viajariam minhas Havaianas.
Aproveitaria cada minuto
Boiaria, mergulharia
até me agarraria a barbatanas
Pra depois adormecer de Havaianas.
Até me dissolver na espuma
curtir o cabelo na água e sal
Pente algum desataria as tramas
se eu vivesse só de Havaianas.
Mandaria o chefe às favas
Viveria de brisa fresca
sobreviveria à base de bananas
Meu reino por um pé de Havaianas.
Fingiria que eu era outro
Um poeta que endoideceu
Escreveria rimas parnasianas
Na areia em volta das Havaianas.
E de noite, não faltasse um carinho
Um colo com tudo de bom
Namoraria Luizas, Claudias , Anas
Um pé que também usasse Havaianas.
Se não encontrasse, paciência
Eu me entregaria a prazeres fugazes
Daria as festas mais insanas
Todos a rigor, só de Havaianas.
Dê-me sol, dê-me areia
Caipirinha, ostra e caju
Lua detrás das montanhas
só não me faltem as Havaianas.
Eis o que eu pediria
Ao ano se ele me ouvisse
Duas mil e oito coisas bacanas
e um só par de Havaianas.
Se o mundo acabar, quem garante?
Seríamos homens realizados
Uma legião de anjos à paisana
Só de asas e Havaianas.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Nunca se explique.
Seus amigos não precisam,
e seus inimigos não vão acreditar.
Nietzche
Sou como você me vê
Posso ser leve como uma brisa
ou forte como uma ventania,
depende de quando,
e como você me vê passar.
Liberdade é pouco.
O que eu desejo ainda não tem nome.
Clarice Lispector

sábado, 15 de dezembro de 2007

"Os homens nascem ignorantes, não estúpidos.
Eles se tornam estúpidos pela educação."
Bertrand Russell
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la
por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela,
isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é,
estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve,
por isso se diz,
por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
Antonio Cícero
"Eu sei de quase tudo um pouco
e quase tudo mal
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim"
Leoni

Ano que chega


Deixar o que se é pra deixar

Levar o que se é pra levar

Dispensar o inútil e guardar o necessário

Afinal de contas é preciso que não falte

mas é fundamental ter espaço para o que vem

Quero comigo uma bagagem

que possa carregar sem sofrimento.

Quero agilidade para me movimentar.

Quero leveza.
Se orgulhar do que se é
e ter noção do próprio ridículo
são qualidades essenciais,
para seguir em frente.

Preciso

por Danilo Lemos

Preciso comprar algum talco pra combater o odor desagradável do meu sapato
Preciso ir ao dermatologista, perguntar sobre meu shampoo anti-caspa
Preciso ir ao dentista, retirar 4 dentes cisos que cismam em nascer inclinados pro lado errado
Preciso ir ao ortopedista, conversar sobre a dor na coluna proveniente do fato de eu passar o dia sentado numa cadeira de merda
Preciso urgentemente de uma academia de ginástica, pois o verão está chegando ao Rio de Janeiro e esses 10 quilos a mais que eu ganhei desde que eu me separei me desagradam...
E, no entanto, vou dormir agora, pois amanhã eu tenho mais um dia de trabalho, que só aceitei, para poder pagar a cachaça que me faz esquecer do que eu preciso.

Passagem das Horas

...
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser...
...Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si próprio pela plena liberalidade de espírito,
E amar as coisas como Deus...
...Eu, tudo isto, e além disto o resto do mundo…
Tanta coisa, as portas que se abrem, e a razão por que elas se abrem,
E as coisas que já fizeram as mãos que abrem as portas…
...Viro todos os dias todas as esquinas de todas as ruas,
E sempre que estou pensando numa coisa, estou pensando noutra.
Não me subordino senão por atavisnio,
E há sempre razões para emigrar para quem não está de cama...
...Fui educado pela Imaginação,
Viajei pela mão dela sempre,
Amei, odiei, falei, pensei sempre por isso,
E todos os dias têm essa janela por diante,
E todas as horas parecem minhas dessa maneira...
(Alvaro de Campos - Trechos)

Ali



ali

só ali se

se alice ali

se visse

quanto alice viu

e não disse

se ali

ali se

dissesse quanta palavra

veio e não desce

ali bem ali

dentro da alice

só alice

com alice

ali se parece

Amor Bastante

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema leva anos cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade,
eu e você, caminhando junto

Incenso Fosse Música

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai nos levar além
(Paulo Leminsk in "Distraído Venceremos" Ed. Brasiliense, 1987)

Eu


eu

quando olho nos olhos

sei quando uma pessoa

está por dentro

ou está por fora

quem está por fora

não segura

um olhar que demora

de dentro de meu centro

este poema me olha

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Sobre defeitos

Defeitos?
Sim vários, mas sempre que os descubro procuro corrigi-los.
Passei da idade de contestar e ignorar
para a de me conhecer e melhorar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O sorriso de Monalisa

The lake house

Noiva em fuga

Runaway Bride:

O amor não tira férias...

The Holiday:

Pretty Woman

A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela:
é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau.
É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado.
A verdadeira eloquência
consiste em dizer tudo o que é preciso
e em só dizer o que é preciso.

O Alquimista

" Na verdade, não são as coisas que mostram algo;
são as pessoas que, olhando para as coisas,
descobrem a maneira de penetrar na Alma do Mundo.
"Despir-se da couraça que envolve e endurece o olhar,
fluindo com os sons e as energias do Universo.
Discussões podem e devem ser canais de auto-conhecimento e amadurecimento da própria identidade.
Uma relação perfeita é aquela em que se pode aprender, crescer e se tornar conhecedor de si mesmo.
Uma troca... seja nos beijos, seja nos confrontos.
“As pessoas são sempre um bom espelho.”
(Manual do Guerreiro da Luz)
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro.
Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil.
Mas namorado mesmo é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito,
mas ser aquele a quem se quer proteger
e quando se chega ao lado dele a gente treme,
sua frio, e quase desmaia pedindo proteção.
(Artur da Távola)
"O principal objetivo da terapia psicológica, não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade,
mas sim ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento.
A vida acontece num equilíbrio entre a alegria e a dor."

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Amor com ressonâncias...

Amor para dividir alegrias,
delicadezas e alguns sonhoso
o suficiente para continuar a criar a magia do amar...
e ser amado.
Daqueles que dá vontade de acordar mais cedo para levar café na cama,
de ligar no meio do dia para dizer que sentiu saudade,
de fazer bobagens, escrever bilhetinhos,
fugir na madrugada em busca do desconhecido...
um amor que seja infinitamente bom enquanto dure...
e que de preferência dure pra sempre.
Amor fiel, honesto, bondoso, paciente
que sabe sussurrar no meu ouvido palavrinhas gostosas
para antes e depois do amor.
amor que invadiu meu mundo devagarinho
e me convenceu que vale a pena ficar.
Amor quentinho... daqueles que não grudam na pele no verão
mas que aquecem que nem edredom quando chega o inverno.
Amor de dormir agarrado,
de dançar colado
e beijar a todo instante.
Amor companheiro,
amigo,
amante,
que gosta de pipocas em tardes de chuva
e anda de mãos dadas comigo pela vida....
por toda minha vida!!!

O VERBO NO INFINITO

☆•:*´`*:•.☆☆•:*´`*:•.☆☆•:*´`*:•.☆☆•:*´`*:•.☆
Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor;
nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar
Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.
E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito
E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito. . .
Vinicius de Moraes
☆•:*´`*:•.☆☆•:*´`*:•.☆☆•:*´`*:•.☆☆•:*´`*:•.☆
Tudo que nos decepciona
obriga-nos a refletir nossa escala de valores!!!!
Bambeia
Cambaleia
É dura na queda
Custa a cair em si
Largou família
Bebeu veneno
E vai morrer de rir
O sentimento é algo inexplicável..
Digo q te amo;
Mas nem sei o q é o amor.
Como afirmo com tanta certeza!!??
Mas minha convicção fala mais alto;
Ela tem dúvidas, mas não tem medo de errar;
Por isso existem falsas amizades;Amores acabados.
Enfim o conhecimento pelo sentimento não é concreto..
"O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções."
(Clarice Lispector)
"Onde quer que você vá, vá com todo coração"
Confúcio

Morena Tropicana

Da manga rosa quero gosto e o sumo
Melão maduro sapoti joá
Jaboticaba seu olhar noturno
Beijo travoso de umbú cajá
Pele macia, é carne de cajú
Saliva doce, doce mel, mel de urucú
Linda morena fruta de vez temporana
Caldo de cana caiana
Vou te desfrutar
Linda morena fruta de vez temporana
Caldo de cana caiana
Vem me desfrutar
Morena tropicana eu quero teu sabor
Ai, ai, ai, ai
Morena tropicana eu quero teu sabor
quando eu disser que aiai você diz que é oioi
quando eu dizer que é oioi você diz que é aiai:
aiai
oioi
oioi aiai

Ą lυα qυє єυ тє đєί

ㄗσѕѕσ тє Բαlαr đσѕ ѕσหђσѕ,
đαѕ Բlσrєѕ đє cσмσ α cίđαđє мυđσυ
ㄗσѕѕσ тє Բαlαr đσ мєđσ,
đσ мєυ đєѕєjσ 
đσ мєυ αмσr 
ㄗσѕѕσ Բαlαr đα тαrđє qυє cαί 
є ασѕ ρσυcσѕ đєίxα νєr หσ cέυ α lυα 
qυє υм đία єυ тє đєί 
Gσѕтσ đє Բєcђαr σѕ σlђσѕ, 
Բυgίr đσ тємρσ, đє мє ρєrđєr 
ㄗσѕѕσ αтέ ρєrđєr α ђσrα, 
мαѕ ѕєί qυє jά ραѕѕσυ đαѕ ѕєίѕ 
Sєί qυє หãσ ђά หσ мυหđσ 
qυєм ρσѕѕα тє đίzєr: 
Qυє หãσ έ тυα α lυα qυє єυ тє đєί 
ㄗrα вrίlђαr ρσr σหđє νσcê Բσr 
றє qυєίrα вєм 
Ðυrмα вєм 
றєυ αмσr... 
Єυ ρσѕѕσ Բαlαr đα тαrđє qυє cαί 
є ασѕ ρσυcσѕ đєίxα νєr หσ cέυ α lυα 
qυє υм đία єυ тє đєί 
ㄗrα вrίlђαr 
ㄗσr σหđє νσcê Բσr 
றє qυєίrα вєм 
Ðυrмα вєм 
றєυ αмσr...
Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar mas é outro lugar,
aí é que está: cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro, transforma fato em elemento a tudo refoga,
ferve, frita ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou é que chegou a sua vez!
Sou muito sua amiga e conheço cada uma delas...
Você que saiu da fresta dela delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo já se alcança a "cidade secreta"
Cuidado, moço, você cai na condição de ser displicente diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano que a mulher extrai filosofando cozinhando, costurando
e você chega com mão no bolso julgando a arte do almoço.
Estamos citando o princípio do mundo...

Homenagem a nós: Cariocas!

SER CARIOCA...
É duro admitir mas ser carioca é falar sem medir consequências.
É dizer "vem" e se assustar com o tocar da campainha.
Ser carioca é não ter hora de ir pra praia nem ter hora pra sair de lá.
É de repente nem aparecer.
É a cultura da espontaneidade que só quem é, sabe.
Só quem mora no Rio, entende.
É mudar de opinião, mudar de atitude ao sentir vontade.
Desejo, logo faço.
Não quero, tudo bem.
É ser sincera ao falar e verdadeiro ao omitir.
É viver sem obrigações.
Ser responsável com o seu querer.
Ser carioca é ser natural.
É confiar nos próprios instintos.
É encontrar com celebridade na rua e virar o rosto para olhar o pôr-do-sol.
É ser blasé com a própria rotina.
É sorrir para o surreal.
É sair para a night de havaianas e cabelo molhado.
Ir para o shopping como quem muda de cômodo.
É fazer de tudo uma ida à esquina.
É ver o inédito como óbvio.
É dizer sim sem balançar a cabeça e depois virar pro lado e dizer: "Ahn?"
Ser carioca é voltar pra casa depois de trabalhar e olhar a paisagem verde.
É dormir até tarde sem pressa de viver.
Porque a vida está lá fora.
A natureza é aqui.
Sem pressa, sem compromisso.
É apenas sentir.
É gostar de roda de samba na esquina.
Sem clube nem turma.
É ser amigo do estranho.
É ver corpos bonitos passar e poder contemplar a beleza de ser e de estar.
É viver na cidade maravilhosa e não se orgulhar de monumentos.
É sorrir para qualquer mendigo na rua.
É conhecer barulho de fuzil, ter medo mas não se afligir.
Ser carioca é se permitir.
(Texto da CHICA)
A veces angel
A veces demonio
pero siempre YO!
"Sentou-se diante do papel vazio e escreveu:
comer
olhar as frutas da feira
ver cara de gente
ter amor
ter ódio
ter o que não se sabe e sentir um sofrimento intolerável
esperar o amado com impaciência
mar
entrar no mar
comprar um maiô novo
fazer café
olhar os objetos
ouvir música
mãos dadas
irritação
ter razão
não ter razão e sucumbir ao outro que reivindica
ser perdoada da vaidade de viver
ser mulher
dignificar-se
rir do absurdo de minha condição
não ter escolha
ter escolha
adormecer
mas de amor de corpo não falarei.
Depois dessa lista ela continuava a não saber quem ela era, mas sabia o número indefinido de coisas que podia fazer.
E sabia que era uma feroz entre os ferozes seres humanos, nós, os macacos de nós mesmos. Nunca atingiríamos em nós o ser humano.
E quem atingia era com justiça santificado.
Porque desistir da ferocidade era um sacrifício."
(Clarice Lispector)

Eu Comigo

Minha casa é meu hiato
entre passado e futuro.
Plural nas memórias,
singular na história.
Fora dela sou reticente...
Dentro sou transparente.
Minha casa é minha verdade,
lá não posso me esconder.
Minha casa é minha alma
com telhado e chaminé.
Descubro-me nela
e admito que minha casa
nunca foi minha,
-que tantos já se foram
e outro tanto ainda vem...
Mas minha casa sou eu:
Portas e janelas abertas
para minhas lembranças.
Minha casa é esperança
com jardim.
Minha casa sou eu
dentro de mim.
Me sabe pela raiz
quem conhece minha casa.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Se o desempenho não atende às expectativas, desaponta;
se atende, satisfaz;
se supera, encanta.
Não conheço limites pro amor.
Mudo de idéia, graças a Deus.
Cuido de quem eu amo, amo quem me cuida.
A felicidade existe.
A esperança é a última que morre.
E estou aprendendo a merecer todo o amor que houver nessa vida...
"A gente se junta por afinidade,
mas depois vê que a maior riqueza
são as diferenças que se tem de um para o outro.
Isso enriquece,
muda pontos de vista
e nos faz prestar atenção nas razões dos outros
e não apenas nas atitudes."
(Rodrigo Amarante)

Mais e mais...

Uhuuu!
A postagem abaixo foi a de número 1000!!
Sigamos em frente...
Gostaria de poder de repente te dizer:
"Vamos voltar pra casa..."
Queria partilhar contigo
os momentos menores da minha vida,
porque os grandes já são teus.
(J G de Araújo Jorge)
A felicidade não é a ausência de conflito,
é a habilidade de lidar com ele.
Uma pessoa feliz não tem o melhor de tudo.
Ela torna tudo melhor.
AMAR...!!
Não é doar um pouco...
É doar sempre !
Não é superar uma ofensa...
É esquecê-la !
Não é se compadecer...
É ajudar mesmo que seja um grande incômodo!
Não é apenas sorrir...
É fazer sorrir as pessoas que estiverem ao seu lado
Viver não é medir a sua ajuda...
É ajudar sempre sem medidas...
Não é ajudar apenas os que estão por perto...
Mas estar sempre perto de todos aqueles que precisam de ajuda !
Quem realmente vive e ama
Não faz apenas o que pode,
Mas ama as pessoas de verdade,
Como se não houvesse um amanhã por vir!!
Meu amor sempre presente....!!
"O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim"
Existem várias formas de amar, mas nem todas são capazes de sustentar um relacionamento.
E que o mais importante é a sinceridade integral, mas também é o caminho mais dolorido.
Rever a nós mesmos, como somos, quem somos e como pensamos a vida.
"Há pessoas que querem ser bonitas
para chamar a atenção,
Outras desejam a inteligência
para serem admiradas...
Mas há aquelas que procuram
cultivar a alma e os sentimentos;
essas alcançam o carinho de todos,
porque além de belas e inteligentes
realmente tornam-se pessoas"

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Verde por fora
Vermelha por dentro...
Meu objetivo diário é:
Tornar-se quem se é.
(Nietzsche)
"Entre razões e emoções, a saída é fazer valer a pena!!"
"Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra"

Nobre Vagabundo...

vivo de amor profundo...
sou perecível ao tempo,
vivo por um segundo...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Realidade Torta

Poesias...
Eles estavam habituados ao silêncio.
Sempre viveram numa casa tão velha quanto eles,
e as paredes obedeciam-lhes à vontade de viverem sem muito ruído.
Viviam no sopé de um monte,
perto de um fresco riacho,
num pequeno paraíso perdido no meio das margaridas
que pintavam o horizonte na primavera.
Tantas histórias aquelas águas
e aqueles campos poderiam contar se falassem (…)
Fragmentos de Um Espelho
Às vezes querer saber demais… Usar porquês demais, pode tirar a magia que algumas coisas devem ter… Vez ou outra devemos aprender a apreciar… Simplesmente olhar e sonhar… O mistério às vezes faz parte do jogo e da vida…
"Faziam silêncio
não por não ter nada a dizer
mas porque o que tinham a dizer
não cabia em palavras."
(Rubem Alves)
“Não existe nada permanente, exceto a mudança”
Nietzsche

Resíduo

(…) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um poucode ruga na vossa testa,retrato.
(…) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loçãoe abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Carlos Drummond de Andrade
“Exige muito de ti e espera pouco dos outros.
Assim, evitarás muitos aborrecimentos.”
Confúcio
comecei dezenas de histórias
e não terminei nenhuma,
não sei para onde vão as minhas personagens
porque começam a falar
e logo se calam.
No papel sucede-me o mesmo que fora dele:
a minha vida é um punhado de começos
suspensos
Miriam Reyes
Fechava as pálpebras escondendo o mundo, se isolando das incertezas que se formavam, corria entre as ruas invisíveis e travava uma luta oculta de todos os olhos.
A pouca luz destruía todas as imagens, que se perdiam em pedaços nas sombras do seu próprio corpo, rondava soturno cada passo na poeira do chão desenhando um destino.
Caminhava com passos fortes, olhos fechados rumo ao cimo de uma montanha de onde avistaria um sonho azul, queria contar cada estrela que nascia… Queria voar na noite escura entre os pontinhos de luz…
Queria deitar do seu lado e deixar o mundo girar…
Sim eu me perdi, não consegui prestar atenção a mais nada, assim que eu ouvi o badalar dos sinos, me perdi no som que reverbera daqueles gomos metálicos, viajei tão longe, ouvi sua voz, vi seu sorriso, sim era meio dia e eu me perdi nos sinos pensando em você, enquanto todo resto do mundo parou, ou foi eu, fiquei ali as 12 badaladas,
12 pensamentos,
12 beijos, 12 abraços,
12 sorrisos,
12 eternidades,
eu me perdi pensando em você…
«Quero dizer mais
e digo: mais
Mas cada vez
digo menos
o mais que sei
e sinto»
“Estamos sempre a perder coisas,
as mais frágeis, ou as que caem pelo caminho
quando abrimos os braços para receber.
A nossa vida nunca tem as mesmas palavras
para o que transportamos,
mas tudo o que achamos nos deslumbra
a casa, cheia de coisas que temos,
ou não temos cada dia.“
Rosa Alice Branco
“Pensar letras
sentir palavras
a alma cheia de dedos“
Alice Ruiz
"...A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.“
«De repente toda mágica se acabou e na nossa casinha apertada
Tá faltando graça e tá sobrando espaço
Tô sobrando num sobrado sem ventilador
Vai dizer, que nossas preces não alcançaram o céu
Coração, que inda vem me perguntar o que conteceu
Contece seu rosto por acaso ainda tem o gosto meu»
(Teatro Mágico)
De que color son los camaleones cuando se miran en un espejo?

Zaratustra

Para Nietzsche, em semelhança ao pensamento heraclítiano, o abismo por ser o mais fundo é o mais elevado, é a vida nela mesma, é o lugar do homem.
Nesse sentido, é na junção entre cume e abismo que se dá a vida num constante fazer e esforço, pois ao tentar ir a profundidade da existência, com empenho, encontramos, na verdade, o fundamento da vida, isto é, o pináculo, donde podemos afirmar que cume e abismo são um e o mesmo, pois no abismo (na profundidade) encontramos o cume (fundamento) da vida.
E é nesse eterno devir que se instala a vida em sua plenitude.

O amor nos tempos do coléra

García Márquez, desenovela seu texto e nos confia as amarguras e delícias do amor.
Aquele surgido da admiração, da amizade, da necessidade, das dores, da força do sexo, da solidão.
O amor que é um convite ao mundo pessoal de cada um de nós.
O livro é uma homenagem ao que há de mais humano e nobre, numa narrativa que nunca se permite descambar para a tristeza sentimentalista ou tormentosa; é sempre sensível e tocante, mas sobretudo leve.
Quem nunca se apaixonou, que atire a primeira pedra.
O Amor nos Tempos do Cólera é o amor de sonho que parece faltar nos áridos tempos atuais, em que já não se tem mais a certeza de que os olhos falam (e fazem poesia), em que o medo do amor nos condena à solidão e ao esquecimento.
Aos apaixonados, aos que querem se apaixonar, ao que não correspondem às paixões que lhes são devotadas: recorram às lições de humanidade do autor e procurem reconhecer o Florentino Ariza que habita, calado e esperançoso, dentro de suas almas.
A maioria das pessoas se engana com duas crenças:
acreditam na memória eterna (de pessoas, coisas, feitos, nações)
e na reparação (de feitos, erros, pecados, enganos).
As duas crenças são falsas.
Na verdade, o oposto é que é real:
tudo será esquecido,
e nada será reparado.
Milan Kundera.
"Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.
O dia vai morrer aberto em mim."
Manoel de Barros

Necessidade de ser injusto

Todos os juízos sobre o valor da vida se desenvolvem ilogicamente, e portanto são injustos.
A inexatidão do juízo está primeiramente no modo como se apresenta o material, isto é, muito incompleto, em segundo lugar no modo como se chega à soma a partir dele, e em terceiro lugar no fato de que cada pedaço do material também resulta de um conhecimento inexato, e isto com absoluta necessidade. Por exemplo, nenhuma experiência relativa a alguém, ainda que ele esteja muito próximo de nós, pode ser completa a ponto de termos um direito lógico a uma avaliação total dessa pessoa; todas as avaliações são precipitadas e têm que sê-lo. Por fim, a medida com que medimos nosso próprio ser, não é uma gandeza imutável, temos disposições e oscilações, e no entanto teríamos de conhecer a nós mesmos como uma medida fixa, a fim de avaliar com justiça a relação de qualquer coisa conosco. A consequência disso tudo seria, talvez, que de modo algum deveríamos julgar; mas se ao menos pudéssemos viver sem avaliar, sem ter aversão e inclinação! - pois toda aversão está ligada a uma avaliação, e igualmente toda inclinação. Um impulso em direção ou para longe de algo, sem o sentimento de querer o que é proveitoso ou se esquivar do que é nocivo, um impulso sem uma espécie de avaliação cognitiva sobre o valor do objetivo, não existe o homem.
De antemão somos seres ilógicos e por isso injustos, e capazes de reconhecer isto: eis uma das maiores e mais insolúveis desarmonias da existência.
(Humano Demasiadamente Humano - Nietzsche)

Humano, demasiado humano

Apenas ao chegar à velhice você nota como deu ouvidos à voz da natureza, dessa natureza que governa o mundo inteiro mediante o prazer: a mesma vida que tem seu auge na velhice tem seu auge na sabedoria, no suave fulgor solar de uma constante alegria de espírito; ambas, a velhice e a sabedoria, você as encontra na mesma encosta da vida, assim quis a natureza. Então é chegado o momento, e não há porque se enraivecer de que a névoa da morte se aproxime. Em direção a luz - o seu último movimento; um grito jubiloso de conhecimento - o seu último som.

Nietzsche, Friedrich.
Ela é oito ou oitenta e os outros 71 quase nunca interessam...
E você, por que desvia o olhar?
Porque eu tenho medo de altura.
Tenho medo de cair para dentro de você.
Então enquanto as coisas não se resolvem, eu fico assim. Mal resolvida. Com um bolo na garganta. Algo que tranca e me impede de respirar. Para não sufocar, dou respirações curtas e lentas. A agonia do não saber me é pior do que a certeza do errado. Enquanto isso, fico esperando e pensando. Pensando de mais. Cá com os meus botões. No quanto o simples pode ser extremamente complexo e difícil. Já assumi meu lado mulherzinha. E já disse que essa coisa de cachorrice é só para assustar. Ou me defender. Pois cão que ladra, não morde. Quero a coisa simples. Mas hoje é mais fácil ser complicada do que simples. Antes as pessoas se apaixonavam. Eu me apaixonava. O querer era mais fácil, sem problemas, sem dificuldades. Era tudo mais normal. A gente dizia: “eu vou” e “íamos”. Tínhamos menos medo. Ou mais coragem. Hoje a gente quer ir, mas não sabe pra onde. Não sabe com quem. Simplesmente parece que nada mais pode nos tirar desse estado de inércia. De espera. E construímos castelos areia que nós mesmos desmoronamos. Enfiamos o pé. Nenhum castelo é suficiente para abrigar tudo aquilo que sonhamos, que almejamos. Destruímos simplesmente sem nem perceber que talvez ele possa ser aproveitado. Que mais alguns baldes de areia resolveria o problema. Não! Simplesmente nos desinteressamos e pronto, amassamos tudo naquele bolo de areia disforme. Destruímos também os castelos alheios. Não por maldade. Não no intuito de acabar com a brincadeira. Simplesmente por reconhecer que aquele castelo não nos basta, não nos pertence, não da pra pegar a bandeirinha e simplesmente gritar que é nosso. Porque não é. Porque igualmente nos falta algo, e nesse caso, não tem balde de areia que resolva. Eu sei, você não esta entendendo nada. Mas não se preocupe. Às vezes o entendimento é pior. O saber de si chega quase a enlouquecer. Melhor simplesmente não saber, ou não entender. Pois quando começamos a entender, que seja um pouco de nós, não podemos simplesmente fechar os olhos e fingir que não vimos. É impossível. Aquela verdade medíocre cospe na nossa cara e temos que admitir. Admitir que talvez a gente esteja a perder o rumo. Ou a procurar um rumo que é quase inexistente. Numa cegueira momentânea. Procurar algo que nem sabemos o que é. Porque as coisas poderiam ser simples. Sem embromação alguma. Mas temos tanto medo... As pessoas têm tanto medo que acabam mascarando tanto, para que só aqueles que queriam correr o risco encontrem seja lá o que for. Chamem de verdade. De querer. De glória. De perdição. De caminho... Não importa. O que importa é que embaçamos tanto, que acabamos por embaçar nossos próprios olhos. Eu sei. Nada disso ta fazendo muito sentido. Mas quem disse que precisa fazer? Não se preocupem com o sentido. Nem tudo faz sentido. E não é por não fazer que deixa de existir. Para isso tudo talvez apresentar algum sentido, eu deveria classificar as idéias em ordem, colocar parágrafos, talvez uma prévia explicação. Mas a vida se explica? A vida lá tem parágrafo? É um amontoado de coisas que vem aos supetões e você interpreta como quiser, se quiser. E quase sempre errado. Então esqueça essa coisa de sentido, de pingos nos “is”. Meu sentido não é o seu. Minha interpretação não é a mesma. E no fim, seria a mesma coisa. Cada um com a sua verdade absoluta... Completamente relativa. E todos perdidos dentro do seu próprio umbigo. Porque no fundo é com isso que nos importamos, com o nosso umbigo e pra onde ele deve ir. Mesmo que nem sempre a gente saiba pra onde ele esta indo. Porque não sabemos, simplesmente não escolhemos. Somos arrastados. E estamos lá. Esperando que algo aconteça. Esperando que tudo tenha um propósito. Esperando o milagre. O cavaleiro no cavalo branco. O mar se abrir. Um raio cair do céu. Uma luz. Uma iluminação. A verdade. Que alguma coisa aconteça! Raios! E simplesmente nada acontece. Ninguém aparece. Então você da meia volta e começa a esperar de novo, começa a tentar achar o tal rumo pra algum lugar ou lugar algum. Com aquele bolo trancando a garganta. Até que um dia a gente vomita tudo isso, e vê que nada fazia sentido. E nem tinha o porque.
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia
Agora eu sei
Agora eu sei
Agora eu sei...

-Isso não é justo!!!!
-O mundo não é justo.
-Eu sei...
mas pq ele não pode ser injusto a meu favor??!!

Aquilo que não vivemos

Minha monografia foi sobre a época de ouro da rádio Nacional...
Foi ótimo escrever sobre os grandes talentos.
Os programas de auditório,
onde desfilava uma constelação de astros e estrelas
da música popular, amada pelo público e junto às maiores orquestras.
Seus humorísticos com os melhores comediantes...
Suas novelas com um elenco de belas e consagradas vozes...
Seus seriados...
Suas resenhas esportivas.
Seu Repórter Esso, com o inconfundível Heron Domingues...
Sobre uma emissora que divulgou
a nossa cultura como nenhuma outra
e que se tornou um grande patrimônio afetivo em nossas vidas...
Que saudades daquilo que nem conheci...