Nestas imagens arcaicas, como lhes chamou Jung, utilizando uma expressão de Jakob Burckhardt, estão contidas todas as experiências feitas pelo psiquismo humano desde as suas origens: o crescimento e o declínio; a felicidade; os perigos; os confrontos com as forças da natureza; os animais e os seres humanos.
Os arquétipos contêm igualmente as imagens tradicionais e as imagens perdidas, que simbolizam as relações humanas com os poderes do alto e com os poderes do mundo subterrâneo.
Estamos aqui perante os grandes símbolos religiosos.
O ser humano sempre se confrontou com a luz diurna e com a obscuridade noturna, e esta alternância incessante marcou profundamente a sua alma.
A comunidade, bem como a luta dos indivíduos e das grandes associações espontâneas, criava incessantemente situações nas quais se começava a desenhar um certo comportamento humano típico.
A cultura emergente difundia-se através da invenção da roda e da utilização do animal.
As barcas e os navios atravessavam águas revoltas e construíam-se pontes sobre os rios.
Formas de vida surgiam e conservavam-se através dos tempos, mesmo que sujeitas a modificações superficiais.
Poderíamos multiplicar os exemplos, embora não indefinidamente, uma vez que só existe um número limitado de acontecimentos humanos fundamentais, à semelhança do que acontece com as experiências de cada indivíduo.
Poderíamos multiplicar os exemplos, embora não indefinidamente, uma vez que só existe um número limitado de acontecimentos humanos fundamentais, à semelhança do que acontece com as experiências de cada indivíduo.
Estas agrupam-se em arquétipos, que são como que o núcleo de tudo o que existe, de tudo o que se produziu e virá ainda a produzir-se.
Dir-se-ia que a repetição incessante destes padrões fez com que as imagens arcaicas se carregassem de uma energia interna, que ajuda a transmiti-las de geração em geração.
O número de arquétipos é limitado.
Mas isso não os torna menos capazes de gerarem energia.
O eu não dispõe delas como lhe aprouver.
São-nos dadas como uma herança ancestral e atemo-nos às suas regras, mesmo sem o sabermos.
E fazemos bem.
Tanto o nosso funcionamento corporal como a nossa vida mental estão traçados desde tempos imemoriais e tentar escapar às suas leis só pode ocasionar problemas.
Grosso modo, fazemos o que o homem sempre fez - desde as origens - em situações de desgosto ou alegria, no trabalho ou nas relações interpessoais e, sobretudo, quando se encontra numa situação que lhe é desconhecida.
Grosso modo, fazemos o que o homem sempre fez - desde as origens - em situações de desgosto ou alegria, no trabalho ou nas relações interpessoais e, sobretudo, quando se encontra numa situação que lhe é desconhecida.
O fundamento da vida e o comportamento característico do ser humano são idênticos, mesmo quando variam segundo os indivíduos.
É isto que nos permite compreender os legados das gerações humanas que nos precederam.
Em todas as épocas, o guerreiro aceitou, ou teve de aceitar, a morte, e o nómada errou pelos caminhos ou pelas comunidades.
Fomos sempre jovens e fomos sempre velhos. Sempre convivemos com a miséria e o medo, bem como com os frutos da vida.
Construímos a casa e o fogo destruiu-a.
O rio e o mar foram sempre símbolos da existência.
Todos estes símbolos são originais.
Todos estes símbolos são originais.
Quando chegamos a um lugar perigoso, seja dentro de nós, seja fora de nós, quando a nossa conduta é perturbada por conflitos profundos ou somos assaltados por uma imensa alegria, os sonhos espelham as imagens arcaicas, as rotas seguidas por uma humanidade que sempre encontrou o seu caminho através da escassez e das catástrofes.
Comunicamos com o seu saber milenar através de símbolos e não de enunciados racionais e claros.
Nunca apreciaremos o quanto o mundo dos arquétipos é importante.
É um espólio imenso que encerra todas as situações essenciais da nossa existência.
Se tentássemos desfazer-nos deste fundo da nossa alma, o nosso eu ficaria reduzido a um conjunto de recordações meramente pessoais.
Cada ser humano seria apenas uma unidade minúscula, isolada dos seus semelhantes.
Viveríamos desligados do passado e estaríamos desarmados diante de um futuro hostil.
A voz dos arquétipos é a voz do género humano.
Sentir-nos-emos bem quando a nossa vida consciente responder de forma adequada ao que os arquétipos têm para nos dizer.
Quando os símbolos ancestrais nos aparecerem em sonhos, isso será sinônimo de uma maturidade acrescida.
O sonho traz à superfície o que alma tem de mais íntimo, a fim de que possamos abrir uma nova página na nossa vida.
O sonho traz à superfície o que alma tem de mais íntimo, a fim de que possamos abrir uma nova página na nossa vida.
Dessa forma, vamos ao encontro do que nos pertence e somos reconduzidos à totalidade do nosso ser.
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