domingo, 24 de outubro de 2010

Tempo


O tempo é poesia.
O tempo não passa e não pára de passar.
E enquanto isso, a vida passa.
Podemos pensar, então: O tempo é vida?
E quando a gente torce para que o tempo passe rápido,
estamos torcendo para que a vida passe?
O tempo é vida na medida
em que ele representa os caminhos
e as escolhas que fazemos,
a direção em que seguimos,
a felicidade e a paz,
a tristeza e a dor, o amor
e o abismo que sentimos
em viver enquanto temos tempo de vida.
O tempo é uma tentativa de dar significado a algo
que escorre por nossas mãos:
O tempo, não existe,
mas o “tic-tac” do relógio sim.
Suplicamos para controlar o passar dos ponteiros,
nos prendemos ao valor que damos aos prazos,
às nossas ações,
à jornada de trabalho a cumprir,
aos encontros,
peças de teatro,
a todos os livros que queremos ler
e as cidades que esperamos conhecer
antes de morrer.
O despertador não toca
na hora em que vamos nos deitar,
mas se não formos atormentados por ele,
não conseguimos levantar.
“Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos..."
Quintana nos convida a desviar o olhar do relógio.
Provavelmente porque o tempo cronológico
é um delírio nosso.
Nossa medida de tempo acontece
em relação a que?
Ao tanto de tempo trabalhado,
ao tanto de dinheiro acumulado,
ao tanto de alegrias vividas,
ao tanto de dores sentidas?
O tempo é relativo,
talvez não precisássemos de Einstein
para saber disso.
O tempo voa quando fazemos algo que nos dá prazer,
entretanto quando fazemos o que não gostamos
dura uma eternidade.
Bom seria que todo o nosso tempo fosse investido
no que realmente nos é significativo.
Confiar no "presente" como tempo,
é para poucos.
Assim, dizer que a vida é preciosa
significa dizer que o nosso tempo é precioso.
Tempo de viver, tempo de amar,
tempo de existir, tempo de desejar.
Nosso tempo.
Por: Ana Suy Sesarino e Lívia Azzi.

Um comentário:

Ana SS disse...

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