
De tão mal acostumada,
ela aprendeu a esperar.
Esperava por algo que nunca chegava,
pois tudo sempre lhe foi dado na mão,
bastava pedir.
Mas daquele ponto de partida
ela não movia um passo.
Não poderia mover as pernas
- presas por uma corrente grossa de ferro.
E seus pés estavam cravados
em um cimento frio.
Era tudo metáfora,
mas o enfeite das palavras
serviam para dissimular
a falsa dor que ela sentia.
A porta permanecia aberta,
mas seus olhos estavam cegos.
Por hora, ela desviava.
Não queria enxergar a saída
porque não estava pronta para ir embora.
Nunca esteve.
Fala em liberdade como uma revolucionária.
Sabe o caminho,
mas não tem certeza se vai.
Pensa nas consequências,
desiste.
Volta,
altera.
Pensa.
De tanto pensar,
descobre que passou anos ali,
naquele mesmo lugar sem escolha definida.
E cresce sem saber que ainda é menina.
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