
Mais uma do Querido Leitor:
"Encolhedores de cabeça"
A pressa gera encolhimento.
A pressa gera encolhimento.
O sucesso das colunas de notas
sobre os textos longos é notório.
Uma coluna breve, mesmo sendo fraca e ruim,
ganha de qualquer texto longo, mesmo sendo bom.
As pessoas não têm mais paciência para ler.
O encolhimento da paciência
e dos textos passou dos jornais para a rede.
A rede com sua pressa intrínseca acolheu o mercado
dos agitados com blogs de notas telegráficas,
nem sempre verdadeiras ou relevantes.
Tanto faz.
Sendo pequeno, o publico consome.
O minimalismo do texto encolheu os blogs
e gerou os microblogs.
Estamos na vez do Twitter,
que só comporta 140 caracteres a cada post.
O formato não é coincidência,
foi pensando para ser enviado
por mensagens de texto via celular,
geralmente curtos também.
A necessidade de fazer caber mais informação
em tão pouco espaço aqueceu o mercado dos sites
que encolhem links.
A concisão, em tese, é boa.
O problema são as outras sequelas.
A falta de leitura mais profunda
leva as pessoas a encolherem suas visões de mundo.
A via sedentária, encolhe a coluna.
O excesso de digitação, encurta os tendões.
O vício da bisbilhotice, que faz com que pessoas
se tornem obcecadas por relações sociais
nem sempre saudáveis,
encolhe a alma.
Encolher pode ser bom, onde é cabível.
O excesso de carros e a falta de vias públicas
merece uma troca dos carros grandes por versões mini.
Sim, vamos encolher urls, textos,
ideias, posts, bla bla bla.
Vamos encolher também a cintura,
a usura, a gordura.
Deveríamos também diminuir todo mal,
toda chatice,
toda patrulha, toda encheção de saco.
Encolher o tempo que gastamos
com coisas irrelevantes,
com obsessões inuteis,
com loucuras.
Para poder expandir a mente.
Ampliar os horizontes.
Abrir o coração.
E transformar o curto tempo de vida
que temos na Terra
numa experiência infinita
de simples felicidade.
Bom dia.
Bom dia.
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