
Onde, quando e como nos perdemos?
Por quais caminhos nos desvirtuamos?
Nas palavras não ditas?
no desvio de olhar?
na falta de tempo do dia a dia?
Na falta do abraço?
São tantas questões...
A paixão é maravilhosa, deliciosa,
imperdível e desejável,
mas como fogueira vai se apagando
em seu devido tempo.
Fogo demais queima,
machuca, dói, destrói.
Fogo de menos faz falta, deixa frio,
escuro, desconfortável.
É preciso acertar o tom, aceitar o ritmo,
embriagar-se de labaredas na medida certa...
e depois, aprender a manter acesas somente as brasas.
Mas as crenças e os romances nos enganam;
deixam no ar a ilusão de que podemos estar constante
e ininterruptamente apaixonados, ardendo,
como se o amor se resumisse a isso.
E assim, nos perdemos em desejos impossíveis.
Acreditamos que falta algo nas relações duradouras.
Simplesmente porque não aprendemos
a apreciar a sutileza do amor.
Ficamos presos e condenados
à aflição que nos causa a paixão.
E o fato é que ela acaba.
Ela sempre acaba.
É assim, não tem jeito.
Mas a gente não aceita.
Busca outra e outra, nos remetendo
a um vazio que nunca poderá ser preenchido
senão com a delicadeza do amor.
Precisamos nos deixar apaziguar,
mais cedo ou mais tarde.
Geralmente, mais tarde.
Algumas vezes, bem mais tarde!
Noutras, nunca, infelizmente.
Por isso, antes de pôr fim a uma relação
que tem mais sutileza do que ardência,
que lhe provoca mais paz do que desejo,
pense bem.
Não se deixe cair numa armadilha ardilosa
e extremamente perigosa.
Não estou subestimando a importância da paixão.
Ela é necessária e imperdível.
Contém em si o impulso da provocação,
a coragem para a entrega.
Sem ela não há início, não há motivação
para o nascimento do amor.
Desejo assim, que todos nós tenhamos a oportunidade
de nos envolver nas chamas da paixão.
Se preciso for, até arder, doer e aprender.
Para depois, enfim,
valorizar a calmaria do amor.
Afinal, a paixão queima e machuca
enquanto que o amor aquece e acolhe...
e que você descubra e usufrua
do segredo contido na relação
que torna-se mais parecida com amizade
e menos com a angústia das paixões.
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