quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Questionamentos


Onde, quando e como nos perdemos?

Por quais caminhos nos desvirtuamos?

Nas palavras não ditas?

no desvio de olhar?

na falta de tempo do dia a dia?

Na falta do abraço?

São tantas questões...

A paixão é maravilhosa, deliciosa,

imperdível e desejável,

mas como fogueira vai se apagando

em seu devido tempo.

Fogo demais queima,
machuca, dói, destrói.

Fogo de menos faz falta, deixa frio,
escuro, desconfortável.

É preciso acertar o tom, aceitar o ritmo,

embriagar-se de labaredas na medida certa...

e depois, aprender a manter acesas somente as brasas.

Mas as crenças e os romances nos enganam;

deixam no ar a ilusão de que podemos estar constante

e ininterruptamente apaixonados, ardendo,

como se o amor se resumisse a isso.

E assim, nos perdemos em desejos impossíveis.

Acreditamos que falta algo nas relações duradouras.

Simplesmente porque não aprendemos

a apreciar a sutileza do amor.

Ficamos presos e condenados
à aflição que nos causa a paixão.

E o fato é que ela acaba.

Ela sempre acaba.

É assim, não tem jeito.

Mas a gente não aceita.

Busca outra e outra, nos remetendo

a um vazio que nunca poderá ser preenchido

senão com a delicadeza do amor.

Precisamos nos deixar apaziguar,

mais cedo ou mais tarde.

Geralmente, mais tarde.

Algumas vezes, bem mais tarde!

Noutras, nunca, infelizmente.

Por isso, antes de pôr fim a uma relação

que tem mais sutileza do que ardência,

que lhe provoca mais paz do que desejo,

pense bem.

Não se deixe cair numa armadilha ardilosa
e extremamente perigosa.

Não estou subestimando a importância da paixão.

Ela é necessária e imperdível.

Contém em si o impulso da provocação,
a coragem para a entrega.

Sem ela não há início, não há motivação
para o nascimento do amor.

Desejo assim, que todos nós tenhamos a oportunidade

de nos envolver nas chamas da paixão.

Se preciso for, até arder, doer e aprender.

Para depois, enfim,
valorizar a calmaria do amor.

Afinal, a paixão queima e machuca

enquanto que o amor aquece e acolhe...

e que você descubra e usufrua
do segredo contido na relação

que torna-se mais parecida com amizade

e menos com a angústia das paixões.


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