
( ... )"Tudo é um entre um milhão de caminhos.
Portanto, você deve sempre ter em mente
que um caminho não é mais que um caminho;
se achar que não deve segui-lo,
não deve segui-lo,
não deve permanecer nele,
sob nenhuma circunstância.
Para ter uma clareza dessas,
é preciso levar uma vida disciplinada.
Só então você saberá
que qualquer caminho
não passa de um caminho,
e não há afronta,
para você nem para os outros,
em largá-lo,
se é isso o que seu coração lhe manda fazer.
Mas sua decisão
de continuar no caminho
ou largá-lo
deve ser isenta de medo e de ambição.
Eu lhe aviso.
Olhe bem para cada caminho,
e com propósito.
Experimente-o tantas vezes
quanto achar necessário.
Depois, pergunte-se,
e só a si,
uma coisa.
Essa pergunta é uma
que só os muitos velhos fazem.
Meu benfeitor certa vez
me contou a respeito,
quando eu era jovem,
e meu sangue era forte demais
para poder entendê-la.
Agora eu entedo.
Dir-lhe-ei qual é:
esse caminho tem coração?
Todos os caminhos são os mesmos:
não conduzem a lugar algum.
São caminhos que atravessam o mato,
ou que entram no mato.
Em minha vida posso dizer
que já passei por caminhos compridos,
compridos,
mas não estou em lugar algum.
A pergunta de meu benfeitor agora tem significado.
Esse caminho tem um coração?
Se tiver,
o caminho é bom;
se não tiver,
não presta.
Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma;
mas um tem coração e o outro não.
Um torna a viagem alegre;
enquanto você o seguir, será um com ele.
O outro o fará maldizer sua vida.
Um o torna forte;
o outro o enfraquece."
(Carlos Castañeda. A Erva-do-Diabo)
Nenhum comentário:
Postar um comentário