
'Havia uma vez um rei
num reino muito distante,
que vivia em seu palácio
com toda corte reinante.
Reinar pra ele era fácil,
ele gostava bastante.
Mas um dia, coisa estranha!
Como foi que aconteceu?
Com tristeza do seu povo
nosso rei adoeceu.
De uma doença esquisita,
toda gente, muita aflita,
de repente percebeu...
Pessoas grandes e fortes
o rei enxergava bem.
Mas se fossem pequeninas,
se falassem baixinho,
o rei não via ninguém.
(...)
E o pior é que a doença
num instante se espalhou.
Quem vivia junto ao rei
logo a doença pegou.
E os ministros e os soldados,
funcionários e agregados,
toda essa gente cegou.
(...)
E o povo foi desprezado,
pouco a pouco, lentamente.
Enquanto que o próprio rei
vivia muito contente;
pois o que os olhos não veem
nosso coração não sente.
(...)
Cada pessoa do povo
foi chegando à convicção
que eles mesmo é que tinham
que encontrar solução
para terminar a tragédia.
Pois quem monta na garupa
não pega nunca na rédea!
Eles então se juntaram,
discutiram,pelejaram,
e chegaram à conclusão
que, se a voz de um era fraca,
juntando as vozes de todos
mais parecia um trovão.
(...)
Mas de repente, que coisa!
Que ruído tão possante!
Uma voz tão alta assim
só pode ser um gigante!
-Vamos olhar na muralha.
-Ai, São Sinfrônio, me valha
nesse momento terrível!
Que coisa tão grande é esta
que parece uma floresta?
Mas que multidão incrível!
(...)
(retirado do livro O que os olhos não veem de Ruth Rocha)
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