quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Perguntas


Com quantos sonhos se constrói uma realidade?

Com quantos beijos alguém nos conquista?

Com quanto empenho se faz uma relação?

Com quantos olhares nos mostramos presente?

Com quantos sorrisos a gente demonstra alegria?

Com quanto silêncio se diz "eu te amo"?

Em que camada da pele fica guardado o cheiro do outro?

Em que fração de segundo se constrói uma certeza?

Com quanto choro se entende uma doença?

Com quanto sorriso se entende uma cura?

Com quantos erros se forma a gota d’água?

Com quantas partidas se entende um adeus?

Com quanto espaço vazio se entende a saudade?

Com quantos batimentos se pede uma segunda chance?

Quanto tempo demora pra gente mudar?

Com quanta mudança se faz um recomeço?

Em que suspiro alguém percebe que mudamos?

Com quanto tempo se faz o para sempre?

E com quanto amor se demonstra o amor?
Vá placidamente por entre o barulho e a pressa,
e lembre-se da paz que pode haver no silêncio.
Tanto quanto possível, sem capitular,
esteja de bem com todas as pessoas.
Fale a sua verdade calma e claramente;
e escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes;
também eles têm sua história.
Evite pessoas barulhentas e agressivas;
elas são um tormento para o espírito.
Se você se comparar aos outros,
pode tornar-se vaidoso e amargo;
porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você.
Desfrute suas conquistas assim como seus planos.
Mantenha-se interessado em sua própria carreira,
mesmo que humilde;
é o que realmente se possui na sorte incerta dos tempos.
Exercite a cautela nos negócios; porque o mundo é cheio de artifícios.
Mas não deixe que isso o torne cego à virtude que existe;
muitas pessoas lutam por altos ideais;
e por toda parte a vida é cheia de heroísmo.
Seja você mesmo.
Principalmente não finja afeição, nem seja cínico sobre o amor;
porque em face de toda aridez e desencantamento
ele é perene como grama.
Aceite gentilmente o conselho dos anos,
renunciando com benevolência às coisas da juventude.
Cultive a força do espírito para proteger-se num infortúnio inesperado.
Mas não se desgaste com temores imaginários;
muitos medos nascem da fadiga e da solidão.
Acima de uma benéfica disciplina, seja bondoso consigo mesmo.
Você é filho do Universo!
E, quer seja claro ou não para você,
sem dúvida o Universo se desenrola como deveria.
Portanto, esteja em paz com Deus,
qualquer que seja sua forma de concebê-lo
e seja qual for a sua idade e suas aspirações,
na barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua alma.
Com todos os enganos e sonhos desfeitos,
este é ainda um mundo maravilhoso.
Esteja atento.
Empenhe-se em ser feliz.

A Noite é dos que não dormem

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Janela...

Confira:

Janela da Alma



"Porque estamos certos de que a visão depende de nós e se origina em nossos olhos , expondo nosso interior ao exterior, falamos em janelas da alma,..., Porém, porque estamos igualmente certos de que a visão se origina, lá nas coisas, delas depende, nascendo do "teatro do mundo", as janelas da alma são também espelhos do mundo".

(Marilena Chaui)


Consta que foi Leonardo da Vinci quem batizou os olhos de “janelas da alma”. Segundo o famoso artista, “O que há de admirável no olho é que através dele – de um espaço tão reduzido

– seja possível a absorção das imagens do universo.

De sorte que esse órgão – um entre tantos – é a janela da alma, o espelho do mundo.”

Inspirados por este pequeno texto,

os cineastas João Jardim e Walter Carvalho realizaram Janela da Alma, documentário que vem colecionando prêmios pelos festivais por onde passa.

O longa é um documentário sobre dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual,

da miopia discreta à cegueira total,

falam como se vêem,

como vêem os outros e como percebem o mundo.

O escritor e prêmio Nobel José Saramago,

o músico Hermeto Paschoal,

o cineasta Wim Wenders,

o fotógrafo cego franco-esloveno Evgen Bavcar,

o neurologista Oliver Sacks,

a atriz Marieta Severo,

o vereador cego Arnaldo Godoy,

entre outros,

fazem revelações pessoais e inesperadas

sobre vários aspectos relativos à visão:

o funcionamento fisiológico do olho,

o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade,

o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens

e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade ­

se é que ela é a mesma para todos.
...A divisão cartesiana entre matéria e mente teve um efeito profundo sobre o pensamento ocidental.
Ela nos ensinou a conhecermos a nós mesmos como egos isolados existente "dentro" dos nossos corpos;
levou-nos a atribuir ao trabalho mental um valor superior ao do trabalho manual;
habilitou industrias gigantescas a venderem produtos (...) que nos proporcionem o corpo ideal;
impediu os médicos de considerarem seriamente a dimensão psicológica das doenças
e os psicopterapeutas de lidarem com o corpo de seus pacientes...
Nas ciencias humanas, a divisão cartesiana redundou em interminável confusão acerca da relação mente e cérebro;
e na física, tornou extremamente difícil aos fundadores da teoria quântica interpretar suas observações dos fenômenos atômicos...
(O Ponto de Mutação - Capra - pág 55)

INTUIÇÃO

A intuição não tem nada de sobrenatural. É uma capacidade do cérebro.
Carl Gustav Jung a comparou a uma bússola, uma função da psique que desvenda possibilidades. Envolve a comunicação dos dois hemisférios do cérebro: o esquerdo, que é racional e armazena dados concretos - números, palavras e regras; e o direito, responsável pela linguagem não-verbal - símbolos, imagens e sensações.
Relacionar o que vem de um e do outro é intuir.
A questão é como interpretar o que está lá dentro.
O processo não é lógico nem linear.
Sensações não seguem regras cartesianas, não são concatenadas, não obedecem a uma ordem temporal:
aqui, quem dita as regras é o inconsciente.
Trazer para a consciência esse conhecimento interior significa dar vários passos.
Resgatar os sinais dos cinco sentidos é um dos primeiros.
Conseguir relacionar e interpretar dados objetivos e subjetivos é um dos mais difíceis porque o lado racional tende a desprezar o acaso, as emoções e impressões.
Prestar atenção tem peso decisivo:
“Não precisa ser vidente.
A atenção torna as coisas evidentes",
diz a psicóloga Lúcia Rosemberg.
Definir um foco de atenção é mais do que uma rima para ativar a intuição
- o termo vem do latim “intueri", que significa “olhar atentamente".
Limpar a cabeça e se distanciar do problema ajuda a focalizar o que parece estar escondido.
Albert Einstein costumava fazer palavras cruzadas para distrair a mente e permitir que a intuição se manifestasse.
Para os cientistas, intuir significa conjugar fatos que, à primeira vista, não têm ligação.
“A pessoa é mais intuitiva quanto maior for seu banco de dados e sua capacidade de interpretá-los", diz o neurologista Arthur Oscar Schelp, professor da Unesp.
Ou seja: quem tem mais conhecimento armazenado vê o que os outros não enxergam.
A intuição não despreza o conhecimento, mas elabora a informação de maneira diferente da mente lógica.
É um processo de compreensão instantânea que começa, às vezes, da mera percepção do acaso.
Intuição é um insight que acontece depois de uma recombinação inconsciente de fatos, observações e sensações.
Talvez por isso a intuição seja relacionada à mulher, mais ligada à sensibilidade, receptividade, compreensão, subjetividade.
“São atributos femininos, mesmo no homem”, diz Lúcia Rosemberg.
Tudo o que cada pessoa percebe, sente, sonha, lembra tem significado.
A educação voltada para a lógica bloqueia a capacidade de interpretar esses dados.
“É preciso dar crédito àquilo que não é comprovado, mas é inegável”, sublinha a terapeuta.
Abrir na rotina um tempo para silêncio e recolhimento ajuda.
Registrar e interpretar sonhos e impressões também, porque essas práticas facilitam o acesso ao mundo interno.
Intuição, todo mundo tem.
As respostas estão todas dentro, a trilha de acesso é sempre individual.
marie claire.112.julho.2000