sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Perfume de Mulher


Frank Slade (Al Pacino) é um tenente-coronel cego,

que resolve viver um final de semana inesquecível antes de se suicidar.

Ele contrata Charlie Simms (Chris O'Donnell)

como acompanhante para sua viagem à Nova Iorque,

onde começa a se preocupar com os problemas pessoais do rapaz.


Numa cena, Al Pacino,

tira a personagem vivida pela atriz Gabrielle Anwar

para dançar e ela diz:


-Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos.


ao que ele retruca:


-Mas em um momento se vive uma vida...

Mural de idéias

Visitem:

http://www.muraljoia.com.br/02t0indice.htm

Curriculum

Eu já dei risada até a barriga doer,
já nadei até perder o fôlego,
chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado.
Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar,
me queimei brincando com vela.
Eu fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
conversei com o espelho, e até brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista,
mágico, caçador e trapezista;
me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora;
passei trote por telefone,
tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo, já fiz confissões,antes de dormir num quarto escuro, pro melhor amigo.
Já confundi sentimentos.
Peguei atalho errado
e continuo andando pelo desconhecido.
já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas,
mas descobri que essas são
as mais difíceis de se esquecer.
já subi em árvore pra roubar fruta,
já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola,
já chorei sentado no chão do banheiro,
já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já saí pra caminhar sem rumo,
sem nada na cabeça, ouvindo estrelas.
Já corri pra não deixar alguém chorando,
já fiquei sozinho no meio de mil pessoas
sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
já olhei a cidade de cima
e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso,
já quase morri de amor, mas renasci novamente
pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite
e fiquei com medo de levantar.
Já gritei de felicidade,
já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre,
mas sempre era um "para sempre" pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol,
já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos,
e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção,
guardados num baú, chamado coração.

E agora o formulário interroga,

- "Qual sua experiência?"


Talvez eles ainda não saibam colher sonhos!

Felicidade realista

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote
louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.


Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.


E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.

Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo,
usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o
suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.


Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.

Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.


(Martha Medeiros)

O gato comeu

O gato comeu a dignidade do ser humano, a honestidade dos políticos e a benevolência dos homens.

O gato comeu a nossa humildade, a nossa paz e a vergonha na cara.

Vivemos num mundinho medíocre por causa do gato!

Pobre bichano! Vejo que em pouco tempo a culpa do caos que vivenciamos recairá sobre ele.

Senhoras e senhores, sejam bem vindos ao MUNDO CÃO!

Do tempo da Vergonha

A gente costuma dar referências do “nosso tempo”, como se o nosso tempo não fosse hoje. Sou do tempo do tênis Conga, da Família Dó-Ré-Mi, da Farrah Fawcett, do Minuano Limão, e essa listagem alonga a estrada atrás de nós, faz parecer que somos de outro século.E somos.Eu sou do tempo de tanta coisa, inclusive do tempo em que as pessoas sentiam vergonha.Você já deve ter reparado que a vergonha caiu em desuso, a nova geração não deve nem saber do que se trata. Mas a tia aqui vai explicar.
Vergonha é o que você sente quando coloca em risco a sua dignidade. Por exemplo, quando pegam você mentindo.
Ou quando flagram você fazendo uma coisa que havia jurado não fazer.
Às vezes, a vergonha vem de atos corriqueiros, como um tropeção no meio de uma passarela ou uma gafe cometida num jantar.
Isso não tem nada de grave, porém, se fez você sentir vergonha, sinal de que planejava acertar, o que é sempre bom.
Vergonha de ser apresentada a alguém? De falar em público? Também é bobagem, ninguém espera de nós perfeição. Isso é apenas timidez.
Será que quem nasceu depois dos anos 80 sabe o que é timidez? Bom, timidez é um certo recato, é quando uma pessoa não faz questão nenhuma de aparecer. Não ria, isso existe.Mas voltando ao que nos trouxe aqui: vergonha é o que você deveria sentir quando faz algo errado.
É o que deveria sentir quando se desresponsabiliza pelo que está desmoronando à sua volta. Vergonha é quando você se habilita para uma tarefa importante e descobre que não tem competência para executá-la.Vergonha é o que se sente quando interferimos na vida dos outros de forma desastrosa.Vergonha é o que deveria nos impedir de praticar hábitos aparentemente inocentes, como chegar atrasado ao teatro quando a peça já começou, e nos impedir de coisas bastante mais sérias, como roubar.
E há a vergonha sem culpa, a vergonha pelo que representamos coletivamente. Eu, ao menos, senti muita vergonha quando uma turista estrangeira, depois de ficar dois dias confinada num aeroporto brasileiro, sem conseguir embarcar, perguntou a um repórter o que significava o lema “Ordem e progresso” na nossa bandeira.
Muitos políticos (pra citar uma classe trabalhadora aleatória) não têm vergonha. Possuem contas no exterior, assessores de marketing, mas vergonha, nenhuma. Posam para fotografias ao lado daqueles de quem já xingaram a mãe e aceitam o apoio de adversários que já lhes puxaram o tapete.
Quando se trata de fazer alianças, a política, de um modo geral, revela-se um bordel, e perdão se estou ofendendo as profissionais do ramo. É bem verdade que restam dois ou três que têm a decência de dizer: prefiro não me eleger a jogar no lixo meus princípios.
Mas para se posicionar assim, é preciso ser do tempo da bala azedinha vendida em lata, do tempo do “Boa noite, John Boy”, do tempo dos Novos Baianos, do tempo em que Páscoa significava ressurreição e do tempo em que existia vergonha, coisa que quase ninguém mais sente, poucos lembram o que é e ninguém se esforça para reavivar.

Martha Medeiros
A distância que você consegue percorrer na vida depende
da sua ternura para com os jovens,
compaixão pelos idosos,
solidariedade com os esforçados
e tolerância para com os fracos e os fortes,
porque chegará o dia em que você terá sido todos eles.